De onde vem minha comida?

Jul 6, 2006

A Sociedade Mundial de Proteção Animal- WSPA está lançando uma campanha para alertar as pessoas sobre seus hábitos alimentares. A idéia é popularizar o conceito de rastreabilidade alimentar, despertando no consumidor o interesse pela origem e forma de produção do alimento que chega à mesa.


Recentemente, a WSPA lançou um novo plano de ações dentro da campanha Farmwatch, para que novas e mais humanitárias práticas de criação de animais de produção sejam desenvolvidas em todo o mundo. De acordo com Peter Davies, diretor-geral da WSPA, os bilhões de animais destinados à produção são constantemente submetidos a métodos arcaicos e cruéis de criação e abate. “Esses animais são confinados em pequenos espaços, forçados a um acelerado crescimento biológico a base de antibióticos para que possam produzir mais carne, leite e ovos. Além disso, as fazendas industriais despejam uma quantidade excessiva de dejetos nos rios e solos comprometendo todo o ecossistema e o micro-clima das regiões.”


Uma  pesquisa feita pela International Food Policy (IFP)-instituição que fiscaliza a produção e circulação dos alimentos, revela que até 2020 os países em desenvolvimento serão líderes na produção de insumos de origem animal. O documento diz que grande parte dessa produção será obtida por meio de práticas de criação intensiva, e que a ausência de uma legislação específica de produção animal nesses países é preocupante.

Uma questão de saúde

As novas formas de produção industrial de animais devem  ser debatidas publicamente. Os atuais métodos de criação têm trazido uma série de implicações ambientais e de saúde  para as comunidades rurais e urbanas.


Os crescentes registros de casos de zoonoses (doenças transmitidas a humanos pelos animais), como o mal de Creutzfeldt-Jakob, e a gripe aviária, estão preocupando cientistas. Uma das principais advertências é para o uso indiscriminado de antibióticos na produção animal. Estas substâncias servem para controlar doenças e acelerar o metabolismo dos animais, mas deixam resíduos indeléveis que desequilibram a estrutura imunológica de quem consome produtos derivados desses animais.


Peter Davies acredita que as novas leis criadas na Europa já começam a surtir efeito. Mesmo ciente do longo caminho a percorrer no continente, ele acredita que uma mudança efetiva é possível com a criação de uma demanda dos consumidores por produtos ‘ambientalmente corretos’. “A WSPA espera que os outros continentes observem e absorvam estas novas práticas, desenvolvendo sistemas de produção humanitários e sustentáveis”, finaliza.

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