Epidemia de raiva: abate indiscriminado na China

Aug 7, 2006

A província chinesa de Shandong ordenou, no início de agosto, o sacrifício de cerca de 50 mil cães devido a um surto de raiva na região. Comprovando a ineficiência da precária legislação chinesa para o bem-estar animal, muitos cachorros foram mortos a pauladas, envenenados e até mesmo eletrocutados. Os donos que decidiram abater os próprios animais receberam US$ 0,60 (cerca de R$ 1,30) por animal morto.

Nem os animais vacinados contra a raiva foram poupados: cerca de 4 mil cães que já haviam sido imunizados antes do início da epidemia também foram abatidos. As autoridades temiam que a imunização não funcionasse.

A Dra. Elly Hiby, especialista em animais de companhia e diretora da WSPA disse que o sacrifício indiscriminado de animais, além de cruel, não é um método eficaz para o controle da raiva.  A Dra. Elly enfatiza que a Organização Mundial da Saúde (OMS) expõe claramente que a melhor prática para o controle de zoonoses deve estar baseada na vacinação maciça e no acompanhamento constante dos animais de rua.


“Essa atitude inadequada e medieval não é apenas ineficaz para o controle de doenças, como pode prejudicar possíveis boas ações de prevenção de zoonoses. Ou será que alguém terá coragem de procurar um posto veterinário e dizer que seu animal não está vacinado, sabendo que há uma política cruel e indiscriminada de sacrifícios?”, questiona Elly.


A WSPA encaminhou um pedido ao governo chinês para que intervenha e suspenda a série de sacrifícios na região. Algumas cidades chinesas, como Pequim, mostraram progresso no controle de zoonoses, suspendendo as ações binárias de captura e abate, promovendo a posse responsável e reduzindo a burocracia para o registro e vacinação de animais.


A WSPA tem apoiado inúmeros projetos em Serra Leoa, Zanzibar, Índia e Sri Lanka, que combinam vacinações maciças e acompanhamento constante da população de animais de rua, como método humanitário e efetivo de controlar epidemias.

 

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