Oct 31, 2006

Com a participação da Sociedade Mundial de Proteção Animal-WSPA, a coalizão Whalewatch (Baleias Na Mira) enviou uma carta ao jornal londrino Sunday Times, condenado a decisão do governo da Islândia em autorizar a retomada da pesca comercial de baleias das espécies Minke e Fin.
A Islândia retomou as atividade baleeiras, defendendo que a quantidade de baleias em seus mares é grande o suficiente para permitir a caça - apesar de a espécie Fin estar ameaçada. A expectativa é de que os navios do país matem por ano nove baleias Fin, e 30 Minke.
A carta, que também é assinada por membros das principais organizações de proteção animal do Reino Unido e dos EUA, cita uma série de estudos científicos que comprovam a inexistência de métodos humanitários para o abate de baleias. Peter Davies, diretor geral da WSPA e um dos signatários, diz que o caso da Islândia é ainda mais grave porque o país não possui instrumentos para o abate das espécies Fin, que são em média 12 vezes mais pesadas que as da espécie Minke.
Segue a íntegra da carta:
A coalizão Whalewatch condena veementemente a decisão da Islândia em retomar a caça comercial de baleias das espécies Minke e Fin. De acordo com os planos de abate daquele país, 30 baleias Minke e nove Fin serão mortas na próxima temporada de caça. Reunimos um extenso material científico de pesquisas que confirmam a inexistência de métodos humanitários para o abate desses animais no mar.
Alguns dos novos métodos de abate consistem no uso de harpões explosivos que são lançados na altura da cabeça e do tórax causando a morte instantânea do animal. Entretanto, fatores como a pouca visibilidade das águas, o balanço do navio e o fato de o animal se mover, tornam quase impossíveis as chances de o harpão acertar o alvo eficazmente.
Pesquisas feitas pelo Japão e apresentadas à Comissão Baleeira Internacional (International Whaling Commission- IWC) indicam que apenas 40% das baleias caçadas morrem instantaneamente nas detonações explosivas; as restantes levam em média uma hora para morrer e grande parte delas morre de asfixia ou afogada. Não há como saber o que acontece na Islândia. Os métodos de abate naquele país são desconhecidos já que o governo se recusou a fornecer qualquer informação sobre métodos de abate à IWC.
Aparentemente, a Islândia não fez nenhuma adaptação nos seus equipamentos para a caça das baleias Fin, que são 12 vezes mais pesadas que as da espécie Minke. Diferenças anatômicas e orgânicas entre as espécies influem profundamente na eficácia de um determinado método de abate. A ausência dessas considerações contribui para que os métodos de abate sejam ainda mais dolorosos e cruéis.
A coalizão Whalewatch reivindica a suspensão imediata das atividades baleeiras na Islândia.
Signatários:
PETER DAVIES
Diretor-General, Whalewatch e World Society for the Protection of Animals (WSPA)
ROBERT ATKINSON
Chefe da Divisão de Natureza, Royal Society for the Prevention of Cruelty to Animals (RSPCA)
PATRICIA A. FORKAN
Presidente, HumaneSociety International (HSI)
CLARE PERRY
Chefe de Campanhas, Environmental Investigation Agency (EIA)
ANDY OTTAWAY
Diretor, Campaign Whalewatch
SUE FISHER
Diretora de Políticas dos Estados Unidos, Whale and Dolphin Conservation Society (WDCS)
blog comments powered by Disqus