Entrevista Rancho dos Gnomos: bem-estar para animais vítimas de maus-tratos

Aug 19, 2008

Animais selvagens, quando vítimas de maus-tratos, geralmente são encaminhados a zoológicos e santuários designados pelos órgãos governamentais de proteção ambiental. Grande parte vem dos circos, com graves seqüelas da falta de alimentação, stress físico e mental, mutilações, e demais conseqüências dos treinamentos cruéis a que são submetidos.

O casal Marcos e Sílvia Pompeu são responsáveis por um santuário ecológico em Cotia, SP, que recebe animais vítimas de maus-tratos, o Rancho dos Gnomos. Conduzir um local como esses certamente não é tarefa fácil: são mais de 400 animais abrigados, entre eles 14 felinos de grande porte, como a leoa Gaia, que além de ter seus dentes arrancados apresenta danos neurológicos advindos das pauladas que levava na cabeça no circo onde vivia. O santuário também lida com dificuldades financeiras, já que não recebem ajuda do governo.

Conforme publicado na Revista dos Vegetarianos, edição n° 22, além da falta de recursos, o casal conta que passa por um outro dilema, desta vez filosófico. Apesar de serem a favor da abolição do uso de animais, o casal afirma que não pode levantar essa bandeira porque precisa alimentar os carnívoros que estão sob seus cuidados e que nunca mais conseguirão voltar ao hábitat natural.

“Como vou dizer para abolir o uso dos animais se eu preciso do serviço sujo dos abatedouros e do serviço nojento dos frigoríficos para poder alimentar esses animais?" questiona Silvia, que também critica a posição dos abolicionistas que não saem da frente do computador. "Se eu não tivesse o abrigo, daí iria para o computador revolucionar o mundo pelo teclado. Mas hoje, eu aperto o teclado e na hora que desligo o computador, ouço 14 felinos rugindo porque precisam comer".

Na opinião de Marcos, classificar os protetores de animais como bem-estaristas e abolicionistas é algo que não lhe agrada:

— Não queremos essa divisão. Nós estamos aqui para trabalhar pela proteção dos animais e nesse sentido estão todos juntos, eu acredito. Isso (a abolição do uso animal) vai ser uma evolução muito lenta que vai ser alcançada daqui muito tempo, mas, por enquanto, é apenas uma meta.

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