Feb 1, 2008

Petrópolis é um dos principais pontos turísticos do estado do Rio de Janeiro e uma parceria entra a prefeitura e a Ong AnimaVida, afiliada da WSPA, promete tornar a cidade ainda mais agradável.É que os cavalos das charretes que fazem ponto em frente ao Museu Imperial passarão a ser monitorados por chip, o que melhorará em muito a qualidade de vida desses animais.
Desde maio do ano passado, a AnimaVida, através do projeto Charreteiro Sangue Bom, vem combatendo as precárias condições dos cavalos utilizados nas charretes. Ana Cristina, presidente da ONG, conseguiu convencer metade dos condutores que trabalham no centro histórico a fazer parte da iniciativa. Desde então, 24 animais ganharam tratamento diferenciado e 10 charreteiros receberam capacitação profissional, o que inclui lições sobre manejo de cavalos.
Agora, com a entrada da prefeitura, o cenário será ainda melhor. A Fundação de Cultura e Turismo resolveu fazer uma parceria com a AnimaVida e utilizar a experiência da entidade para tentar solucionar de uma vez por todas o problema. Seguindo sugestão da ONG, o governo da cidade decidiu obrigar a implantação de chips em todos os cavalos. No último dia 30 de janeiro, aproximadamente metade deles recebeu o implante. O objetivo final é microchipar cerca de 60 animais. A iniciativa é pioneira no estado do Rio de Janeiro.
O chip permitirá que seja feito um trabalho de monitoramento, o que acabará com o descarte de cavalos, prática comum entre os charreteiros. Além disso, será possível fazer análises periódicas do estado de saúde dos animais. Um veterinário especializado fará as avaliações clínicas.
– Como o custo de tratamento é um pouco caro para os condutores, os cavalos eram trocados constantemente. Com a microchipagem, a prefeitura poderá saber quem abandona ou comete maus-tratos – explicou Ana, presidente da AnimaVida.
Nesse caso, o charreteiro pode receber uma multa, ter a licença suspensa ou até mesmo cancelada. O cadastro dos cavalos será atualizado de seis em seis meses ou quando alguma irregularidade for constatada.
– O microchip é uma iniciativa da prefeitura, que vai colaborar com o projeto Charreteiro Sangue Bom. Antes acontecia de o animal trabalhar até chegar à exaustão. Com o chip haverá como monitorá-los – completa Marcus São Thiago, presidente da Fundação de Cultura e Turismo.
O condutor Leonardo de Souza, integrante do Charreteiro Sangue Bom, se preocupa com a imagem da sua profissão e disse ter ficado assustado ao ler em um adesivo de carro, anos atrás, a seguinte frase: “Petrópolis – a cidade dos cavalos sofredores”. Para ele, essa imagem prejudica o turismo:
– Turista é assim: A charrete está limpa? O condutor está limpo? O cavalo está tratado? Tem turista que olha tudo mesmo.
Valmir Rosa Garcia, charreteiro há 25 anos, acredita que a microchipagem trará benefícios tanto para os condutores, quanto para os cavalos:
– Agora vai ficar mais fácil cuidar dos animais porque a gente vai ter mais orientação. E quanto mais informação melhor.
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