Situação difícil para gatos na China

Mar 31, 2008

Gato que vive nas ruas

Bem-estar animal na China tem um longo caminho a percorrer, mas há avanços 

Os gatos que estão nas ruas de Pequim, capital da China, correm o risco de ser exterminados em virtude dos Jogos Olímpicos. O governo da cidade pretende que esses animais, que têm sido capturados e amontoados em gaiolas do tamanho de um forno de microondas, sejam removidos até o final de junho.

Peter Willians, Diretor Regional da WSPA na Ásia, busca estratégias que mudem a situação:

– A WSPA China está lutando pela obtenção de uma autorização que permita que dois de nossos veterinários visitem o abrigo de gatos. A idéia é poder discutir alternativas e a adoção de formas humanitárias de controle da população de gatos na rua. 

Willians também tem trabalhado em conjunto com instituições nacionais e internacionais de defesa animal e também com as autoridades locais. Ele explica que, ao entender o motivo por que o governo quer remover os animais e ao saber de onde os gatos vêm, a WSPA tem como intervir.

Kate Blaszak, Grerente de Programas Veterinários da WSPA Ásia, enfatiza a importância da educação para prevenir o abandono dos animais:

– Na China, em geral, os gatos são considerados um risco à saúde humana. Essa idéia equivocada faz com que a população de animais na rua aumente. O nosso trabalho é mostrar que os gatos não promovem nenhum tipo de risco aos seus donos e estimular a guarda responsável

Avanços em bem-estar animal

Animais de companhia 

A raiva é um grave problema na China. A incidência da doença em humanos cresceu, o que tem acarretado ondas de extermínio de cães. A WSPA vem trabalhando junto ao governo para incentivá-lo a adotar métodos humanitários de combate à raiva. 

Em 2007, no Dia Mundial da Raiva, ações educativas foram realizadas por organizações chinesas em parceria com a WSPA. Participaram das atividades cerca de 200 mil pessoas e houve intensa cobertura da mídia.

Já na província de Xinjiang foi inaugurada, em março, uma clínica veterinária móvel para os eqüinos. A unidade, uma iniciativa da WSPA e da afiliada SPANA, recebe a colaboração técnica da Universidade Urumqi e trabalha para melhorar a qualidade de vida dos animais. Conselhos e orientações são dados aos proprietários dos eqüinos e ainda há tratamento preventivo e de emergência.

Animais de produção

A WSPA tem lutado pela implantação do Programa de Treinamento em Abate Humanitário na China e, pela primeira vez, um projeto dessa natureza recebeu a cooperação de agências governamentais.

O programa de treinamento é resultado do Memorando de Entendimento em Abate Humanitário na China, assinado pela WSPA e pelo Instituto Chaoyang Anhua de Pesquisa para a Segurança de Produtos Animais (APSRI), em Pequim.

Desde fevereiro do ano passado, a WSPA e o APSRI têm trabalhado em conjunto no treinamento para promover melhores práticas no transporte, no manejo, na insensibilização e no abate dos animais de produção. Além disso, há um esforço junto a relevantes agências do governo para o desenvolvimento de leis contra maus-tratos.

A China é o maior produtor de carne do mundo. Sendo assim, caso os métodos humanitários sejam largamente implementados no país, 15% dos animais de produção do planeta passarão a ser tratados com mais respeito, levando-se em conta seu bem-estar. 

Animais selvagens

A WSPA apoiou cientistas chineses em um estudo de três anos, na província de Sichuan, sobre a situação problemática dos ursos negros. A investigação foi conduzida em parceria com organizações da China, incluindo o Departamento Florestal de Sichuan e a Universidade Peking. 

Com a pesquisa, foi possível mapear a população de ursos, já bastante limitada no país. Os resultados serão divulgados no fim desse ano e ajudarão a orientar futuras políticas para a preservação da espécie. A indústria de extração da bile do urso está presente em todo o sul da Ásia e, somente na China, cerca de 7000 animais sofrem por conta desse comércio.

Também a alimentação pública de animais de zoológicos para fins de entretenimento tem sido combatida pela WSPA. Atualmente, busca-se persuadir a Associação Mundial de Zoológicos e Aquários (WAZA) a se manifestar contra esse tipo de diversão.

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A cat cared for by member society the Phuket Animal Welfare Society, Thailand