A luta pelas baleias na 61ª Reunião da CIB em Portugal

Aug 24, 2009

O aumento da quota de caça da baleia jubarte está mais uma vez nos planos da Dinamarca

Durante o mês de junho, muitos integrantes da rede Whalewatch participaram da 61ª Reunião Anual da Comissão Internacional da Baleia, realizada na Ilha da Madeira em Portugal.

As conversas abordaram “Futuro da CIB” e o acordo para a caça de baleais com o Japão, sendo decidido que para o último tema a Comissão necessitará de mais tempo para negociações antes que qualquer outra proposta seja colocada em discussão. O processo vai agora seguir por mais um ano sob os cuidados do Small Working Group (SWG), que irá apresentar uma ou mais propostas que poderão ser incluídas antes da próxima reunião anual da Comissão, em 2010.

Um “grupo de apoio” formado por 12 países (Alemanha, Antiqua & Barbuda, Austrália, Brasil, Estados Unidos, Islândia, Japão, México, Nova Zelândia, República dos Camarões, São Cristóvão e Neves e Suécia) foi igualmente encarregado de ajudar o presidente da mesa a direcionar o processo e de contribuir na preparação do material para apreciação do SWG. O Grupo de Apoio irá se reunir no Chile no começo da semana de 5 de outubro e o SWG no fim deste ano.

Ação online - a América Latina mostra seu apoio

A WSPA gostaria de agradecer a todos os membros da rede Whalewatch que ajudaram a divulgar a ação online que antecedeu a reunião da CIB e pedia aos governos para rejeitar quaisquer acordos que permitissem a caça costeira de baleias ou ameaçassem a moratória. As 70.000 assinaturas coletadas foram utilizadas conjuntamente para influenciar os Comissários na reunião.

Essa ação pública ajudou a colocar as negociações na mídia. Acreditamos e esperamos que isso tenha desencorajado os comissários de promover acordos rápidos e perigosos.

A participação brasileira na reunião da CIB

No dia 15 de maio a Sociedade Mundial de Proteção Animal (WSPA) lançou uma campanha mundial solicitando ao público que participasse de uma ação online pelas baleias.
Em resposta à campanha, cerca de 6.000 pessoas enviaram uma carta-padrão para o Comissário do Brasil à CIB, Sr. José Truda Palazzo, solicitando que nosso país não apoiasse qualquer liberação de caça de baleias nessa reunião.

O Comissário não só reiterou a posição pró-baleias do Brasil, como também fez questão de esclarecer via email o que foi discutido durante a reunião da CIB. Veja abaixo trechos do email enviado pelo Sr. José Truda Palazzo.

– Ao contrário do que se temia, não houve qualquer “acordão” para liberar a caça costeira japonesa, frente à intransigência do Japão em aceitar um plano de redução/eliminação da sua caça dita “científica” em águas internacionais. A Comissão decidiu então prolongar o processo de negociação dos temas fundamentais que não estão resolvidos (dentre eles a criação do Santuário de Baleias do Atlântico Sul, uma demanda do Brasil e dos demais países latino-americanos mais a África do Sul) por mais um ano.

Pôde-se comprovar, durante a reunião, que o foco da CIB está finalmente se voltando para as baleias, conforme explica Truda:

– A reunião foi, ao mesmo tempo, extremamente útil para os temas de conservação e manejo não-letal das baleias de interesse do Brasil. Foi aprovado um plano estratégico para tratar do turismo de observação de baleias nos próximos cinco anos e criado um grupo de trabalho permanente para o assunto no âmbito da Comissão. Com esse tipo de iniciativa, estamos transformando o eixo de prioridade da CIB de caça para conservação e uso sustentável das baleias por outros meios.

O Brasil, que participou da redação da proposta, está agora no Comitê Organizador de um workshop que deverá estabelecer as bases do trabalho no tema de 2010 em diante.

Clique aqui para conhecer a proposta e as recomendações aprovadas.>>

Groenlândia: quota de dez baleias jubarte

Outra discussão que dominou a reunião foi acerca da proposta controversa da Groenlândia por uma quota de dez baleias jubarte. Essa era a mesma proposta que tinha sido feita na 60ª CIB e rejeitada devido à falha daquele país em mostrar evidências que documentassem adequadamente a verdadeira necessidade do uso da carne para subsistência e aos crescentes protestos sobre o aumento do uso comercial das caçadas aborígenes na Groenlândia.

Os resultados estavam muito incertos para este ano, porém os intensos esforços das ONGs ajudaram diversos países latinos e do bloco europeu a fazer ressalvas significativas sobre a proposta. Vendo que uma decisão consensual não seria possível, o presidente propôs adiar a decisão até que uma reunião intersessional possa ocorrer para discutir a questão. A decisão do presidente foi aceita pela comissão!

Este ano uma resolução sobre as mudanças climáticas e seus efeitos nos cetáceos foi aceita, reconhecendo assim o valioso trabalho feito pela CIB sobre as ameaças ambientais e a importância dos relatórios recebidos após o Workshop da CIB sobre os cetáceos e as mudanças climáticas e do workshop realizado na Costa Rica sobre mudanças climáticas, ambos realizados em devereiro deste ano.

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