Jan 7, 2009

Algumas espécies de baleias, como a jubarte, mink e orca, além de várias espécies de golfinhos, já podem desfrutar das águas da costa brasileira como um santuário de preservação e de uso não-letal de suas espécies.
O decreto do presidente Lula, publicado no Diário Oficial da União no dia 18 de dezembro de 2008, reafirma o interesse nacional no campo da preservação e proteção desses cetáceos, permitindo a pesquisa científica e o aproveitamento turístico ordenado.
A data da publicação coincide com os 21 anos da lei que proíbe o molestamento intencional e a caça desses animais. A lei 7.643/87 determina a proibição da pesca de cetáceo nas águas jurisdicionais brasileiras, e prevê a aplicação de pena de dois a cinco anos de reclusão e multa para os infratores.
Com a norma, o Brasil marca sua posição internacional em relação a outros países que defendem a caça. O ministro do Meio Ambiente Carlos Minc disse que transformar o Brasil em santuário significa um recado aos predadores, para que eles não pratiquem atos contrários à preservação dos cetáceos.
O ministro, entretanto, alertou para o fato de o Brasil precisar aumentar a força dos centros de proteção dos cetáceos. Minc informou que atualmente o Brasil só defende 0,5% de seu meio marinho.
– Queremos chegar aos 10%, criando novas unidades de conservação marinha e utilizar o dinheiro da compensação ambiental para isso. Nossas Unidades de Conservação marinhas são muito poucas e ocupam um pequeno espaço – avaliou o ministro.
A caça de baleias teve início no Brasil em 1602 no Recôncavo Baiano. Alguns anos mais tarde, a prática alastrou-se pelo litoral, desde Cabo Frio, no Rio de Janeiro, até Imbituba, em Santa Catarina, transformando-se num dos principais monopólios da coroa portuguesa.
A decadência da caça de baleias teve início na última década do século XVIII, especialmente devido à concorrência das expedições dos norte-americanos e britânicos em águas do Atlântico Sul. Entre 1904 e 1985, cerca de 19.800 baleias foram mortas pela indústria baleeira sediada em Costinha (Companhia de Pesca Norte do Brasil), Paraíba.
As baleias tornaram-se, por uma boa razão, importantes ícones do movimento conservacionista. Em 1986, uma moratória sobre a caça comercial foi imposta a todos os países-membros da Comissão Baleeira Internacional (CBI) , criada em 1946. O Brasil se integrou à Comissão em 1974.
Em 18 de dezembro de 1987, foi sancionada a Lei Federal Nº 7643, que proíbe a caça e qualquer forma de molestamento intencional de cetáceos em águas jurisdicionais brasileiras garantindo, dessa forma, o fim da caça comercial de baleias em nossas águas.

O primeiro santuário internacional de baleias foi estabelecido pela Comissão Baleeira Internacional (CBI). Simplesmente chamado de “O Santuário”, a área cobriu um quarto do Oceano Antártico, entre a América do Sul e a Nova Zelândia. O Santuário protegeu as baleias até 1955 quando, sob pressão da indústria baleeira devido à redução de capturas na Antártica, foi extinto.
Em 1979, a CBI concordou em estabelecer um Santuário de Baleias no Oceano Índico, protegendo as baleias nas suas áreas de reprodução e de amamentação de filhotes. Quinze anos depois, em 1994, a CBI estabeleceu o Santuário de Baleias no Oceano Antártico. Na reunião da CBI de 1998, foram apresentados os planos para a criação de mais dois santuários. O Santuário de Baleias do Pacífico Sul, sugerido pela Austrália e Nova Zelândia, e o Santuário de Baleias do Atlântico Sul, sugerido pelo Brasil. Na ocasião as propostas não foram aceitas.
As dificuldades inerentes de se matar um animal de grande porte, parcialmente submerso no mar, dá margem a graves problemas de bem-estar. Mesmo assim, dentro da Comissão Baleeira Internacional, questões de bem-estar continuam praticamente sem receber a atenção devida. Agora a caça de baleias em grande escala parece estar voltando à discussão, com alguns países desejando a suspensão da medida que determina a proibição da caça comercial de baleias.
Uma coalizão global de mais de 950 organizações de bem-estar animal em 154 países, lideradas pela WSPA, tem o propósito de assegurar o reconhecimento internacional de que o debate sobre a caça de baleia não é apenas uma questão de quantidade e conservação, mas também de sofrimento animal.
Para saber mais sobre o trabalho da WSPA na preservação das espécies marinhas, clique aqui >>
blog comments powered by Disqus