Jan 28, 2009

A questão do bem-estar dos animais de produção já vem sendo discutida em todo o mundo, mas ganha força na Europa, onde está mais difundida a constatação de que o bem-estar animal, a saúde animal e a saúde humana estão intrinsecamente ligados. E que métodos intensivos de criação que não respeitam o bem-estar animal estão na mira de tiro dos consumidores.
Há algum tempo discute-se a criação de parâmetros para o tratamento dos animais de produção que levem em consideração o seu comportamento natural. A União Europeia pretende estender esses parâmetros a todos os países-membros da Comunidade. E remunera melhor os produtos animais importados que foram criados nas mesmas condições, o que gera vários desdobramentos no comércio internacional.
A importância do tema gerou a Conference on Global Trade and Farm Animal Welfare (Conferência sobre Comércio Global e Bem-Estar dos Animais de Produção), realizada nos dias 20 e 21 de janeiro na sede da Comissão Europeia, em Bruxelas, na Bélgica.
A Conferência concluiu que a implantação de métodos de bem-estar animal na cadeia de produção pode representar um atrativo comercial, um novo nicho de comércio que respeita as condições de criação dos animais. E que vem ganhando o respaldo dos consumidores em todo o mundo.
O evento reuniu mais de 400 pessoas de 55 países, entre representantes do governo, setor privado, universidades, instituições de pesquisa e organizações não-governamentais ligadas ao tema.
Além do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Brasil, entre os participantes destacaram-se representantes do Banco Mundial, da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), das Nações Unidas na área de agricultura pela FAO, das universidades da Suécia e da UNESP, além de pesquisadores da área veterinária e de empresas que atualmente patrocinam estudos sobre bem-estar animal como McDonald’s, os supermercados Waitrose e o sistema Freedom Foods da Inglaterra.
Na programação da Conferência mundial estiveram na pauta de discussão as implicações das políticas de bem-estar no desenvolvimento do animal de produção, a posição da Comunidade Europeia com relação à importação de derivados de animais criados em condições de bem-estar, transporte adequado de animais e sistemas de produção agrícola sustentáveis.
Discutiu-se também os esquemas voluntários de criação de animais com bem-estar, que vem despontando como nicho de mercado e a implantação de sistemas de bem-estar no contexto europeu que abrange mais de 4,5 milhões de propriedades rurais, como um projeto de longo prazo, dadas as dimensões da União Européia.

O Brasil foi representado pelo secretário de Desenvolvimento Agropecuário e Cooperativismo do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento, Márcio Portocarrero e por outras importantes organizações como a WSPA, a Associação Brasileira dos exportadores de Frango (ABEF) e a União Brasileira de Avicultura (UBA)
Como palestrante, Márcio Portacarrero destacou os avanços dos padrões de bem-estar animal e de boas práticas agropecuárias no Brasil. Citou a Instrução Normativa 56 que estimula o produtor a adotar os métodos de bem-estar na criação animal e estabelece parâmetros para esse tratamento.
Já o presidente da UBA, Ariel Antonio Mendes, reafirmou a liderança do país na exportação de frangos e mostrou que o Brasil está bem adiantado em relação às questões de bem-estar animal porque o país já vem trabalhando nesta área há alguns anos.
A WSPA – Sociedade Mundial de Proteção Animal, mantém no Brasil e em outros países um constante trabalho de informação e acesso a material científico para governos e a instituições de ensino brasileiras a fim de auxiliar na difusão dos métodos de criação com bem-estar.

A Comissão Europeia elogiou por várias vezes a atitude do governo brasileiro frente ao estímulo do uso dos padrões de Bem-Estar Animal nos sistemas de produção. Para a Gerente de Campanhas da WSPA Brasil Ingrid Eder, a realização da conferência foi de grande importância para as organizações ligadas ao bem-estar animal e para todos os envolvidos com a produção animal.
— A conferência conseguiu reunir representantes de vários países para discutir o mercado de produtos que valorizam o bem-estar animal. Isso é um bom sinal porque mostra que o assunto vem ganhando importância internacional, numa tendência de ampliação desse tipo mercado, avaliou Eder.
Para ela o governo brasileiro já deu bons indícios de que tem preocupação na forma como são tratados os animais de produção.
— A maior prova de que o governo brasileiro se preocupa com as questões que envolvem o bem-estar dos animais foi a divulgação da Instrução Normativa 56, afirmou.
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