Japão negocia para caçar mais baleias

Jan 27, 2009

Ignorar a proibição da caça coloca as baleias minke, assim como outras espécies, em risco

A Sociedade Mundial de Proteção Animal (WSPA) condenou ontem as tentativas do presidente da Comissão Baleeira Internacional (CBI) de fazer um acordo com o Japão para o país retomar a caça comercial de baleias.

O acordo, descrito em documentos obtidos pelo Washington Post e divulgado no último domingo por esse jornal norte-americano, parece permitir que o Japão cace baleias em suas águas costeiras em troca de uma redução na caça pretensamente “científica” no Santuário do Oceano do Sul (Antártico), minando a proibição de 1986 sobre a caça comercial de baleias.

Uma questão de bem-estar animal

Tal acordo pode abrir caminho para a retomada mundial da caça comercial de baleias, uma prática cruel que utiliza arpões explosivos. Dados do Japão e da Noruega mostram que, ao serem caçadas, as baleias podem sofrer por mais de uma hora antes de morrer.

A WSPA acredita que a caça dita “científica” no Oceano do Sul precisa acabar por meio de pressão diplomática fora da CBI e pede que a proibição de 1986 seja mantida e fortalecida, levando-se em consideração questões de bem-estar animal.

Desafiando a proibição para fazer negociações

Claire Bass, Gerente do Programa de Mamíferos Marinhos da WSPA, disse:

– É inaceitável que o Japão, que já matou mais de 11.000 baleias num claro desafio à proibição mundial, esteja pressionando a CBI e exigindo concessões. E é impressionante que a CBI considere tais negociações e, aparentemente com o apoio dos Estados Unidos, ofereça baleias de bandeja para o Japão.

Sobre a mudança da área de caça, Bass completou:

– A caça de baleias é desumana onde quer que aconteça. Um acordo que simplesmente transfere essa crueldade do Oceano do Sul para o Pacífico Norte nem sequer vale o papel em que está escrito. Sancionar essa prática desumana e desnecessária seria um grande retrocesso para o bem-estar animal mundial.

Tempo de focar na baleais

A WSPA também está preocupada com que a CBI, incumbida de gerenciar a caça e de preservar as baleias do mundo, tenha perdido seu foco.

Apenas três países desejam a caça comercial de baleias e, ainda assim, a Comissão dedica uma grande e desproporcional parte de seu tempo e de sua energia negociando como e se irá proibi-la.

Nesse meio-tempo, as baleias do mundo continuam desprotegidas contra um crescente número de ameaças, incluindo poluição química e sonora, mudança climática e pesca exagerada.

A WSPA e os membros da rede Whalewatch acreditam que a CBI precisa rever suas prioridades para proteger as baleias e não sua caça.

Bass concluiu:

– É impossível imaginar governos se reunindo para endossar a explosão de vacas ou suínos para obter sua carne, mas há um ponto cego quando se trata de proteger o bem-estar de baleias.

Como o sofrimento acontece no mar distante, pode ser que a crueldade da caça de baleias fique fora de vista, mas os governos não podem deixar que ela fique fora de consideração.

Leia nosso relatório Time to Refocus >>

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