ONGs se unem em prol de baleias do mundo

Mar 9, 2009

Ignorar a proibição da caça coloca as baleias minke, assim como outras espécies, em risco

Vinte e seis Organizações Não-Governamentais de diversos países emitiram na última sexta-feira um pedido aos governos para que se oponham a um acordo que pode significar o fim da moratória internacional sobre a caça comercial de baleias. O Pequeno Grupo de Trabalho para o Futuro da Comissão Baleeira Internacional (CBI) se reúne em Roma de hoje até quarta-feira, dia 11 de março, para discutir uma proposta que permitirá ao Japão caçar baleias em risco de extinção em suas águas costeiras.

A Sociedade Mundial de Proteção Animal (WSPA) encabeçou a produção de um briefing, assinado por diversas ONGs, que condena a proposta do presidente da CBI, William Hogarth, e do conselheiro especial da CBI, embaixador Alvaro de Soto. O acordo proposto permitiria que o Japão caçasse baleias em suas águas costeiras, em troca de uma redução na sua suposta “caça científica” no Santuário do Oceano do Sul (Antártico). O briefing, intitulado “Response to Chairs’ Suggestions on the Future of the International Whaling Comission”, expõe os perigos reais de tal acordo, incluindo o de estabelecer um precedente extremamente delicado.

O bem-estar animal deve ser considerado

A WSPA e diversos membros da Whalewatch, uma rede internacional de organizações que se opõem à caça de baleias em prol do bem-estar desses animais, estão participando do encontro como observadores.

Claire Bass, Gerente do Programa de Mamíferos Marinhos da WSPA, comentou sobre a proposta:

– O Japão matou cruelmente mais de 11.000 baleias num claro desafio a uma proibição internacional. Tal proposta iria recompensar essa postura e oferecer ainda mais baleias para o Japão. ONGs estão unidas pelo motivo comum de considerar isso mais do que inaceitável.

As organizações responsáveis pelo briefing concordam que tal proposta iria apenas propiciar ganhos de curto-prazo e superficiais, e isso às custas de se legitimar a caça “científica”, institucionalizar a caça costeira e minar a credibilidade da CBI. O acordo também iria desgastar de forma irreversível a proibição internacional da caça comercial de baleias e sancionar uma prática inerentemente cruel. Caçadores “modernos” usam arpões explosivos, sujeitando baleias a sofrimento extremo e prolongado.

Dados dos governos do Japão e da Noruega mostram que baleias podem sofrer por mais de uma hora antes de finalmente sucumbirem aos ferimentos. Membros da coalizão Whalewatch estão preocupados com o fato de a proposta fazer vista grossa para a crueldade da caça, que é considerada inaceitável por milhões de pessoas no mundo.

– Bem-estar animal é a questão mais óbvia quando se fala sobre esse tema. Para realmente “salvar as baleias”, os governos precisam fazer mais do que evitar a extinção de espécies ou populações. Eles precisam proteger cada um desses animais, que são inteligentes e sencientes, contra uma crueldade inaceitável.

A caça de baleias é desumana onde quer que aconteça. Um acordo que simplesmente transfere  essa crueldade do Oceano do Sul para o Pacífico Norte não é uma solução para o problema – analisa Bass.

O briefing também rejeita as acusações das nações que promovem a caça de baleias de que a CBI esteja à beira de um colapso. No entanto, ele acredita que a CBI, incumbida de gerenciar a caça e conservar as baleias do mundo, tenha perdido sua perspectiva.

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