Um novo urso no santuário de Balkasar

Nov 26, 2010

As feridas de Chowti foram tratadas na sede da afiliada BRC

Chowti uma ursa de seis anos vivenciou os seus últimos dias de sofrimento nas rinhas de urso, poucas horas antes de ser resgatada e levada para o Santuário de Balkasar, na semana passada.

Até algumas semanas atrás, Chowti, uma ursa negra asiática, era amarrada e atacada por cães, que a mordiam e a massacravam, enquanto o público se divertia diante dessa crueldade. Para ela, era apenas mais uma rinha de ursos, onde era obrigada por seu dono, Fida Hussain, a lutar. Felizmente, esse seria o seu último espetáculo.

A equipe da ONG afiliada Centro de Pesquisa da Biodiversidade (PBRC) do Paquistão seguiu, durante algum tempo, os passos de Hussain. Os profissionais depararam com ele e com Chowti em diversos pontos das províncias de Punjab e Sindh e, por diversas vezes, lhe ofereceram uma ajuda financeira, e até mesmo apoio para conseguir um modo de sobrevivência em que ele não tivesse que praticar crueldade com os ursos.

Tudo o que a equipe exigiu, em troca, foi a entrega espontânea de Chowti aos seus cuidados. Contudo, ele resistiu a todas as tentativas de integrá-lo ao Projeto de Sobrevivência Alternativa, coordenado pelo PBRC. E assim, ao encontrá-lo, ao lado de Chowti, na final das rinhas de urso da província de Sindh, no último dia 11 de Novembro, a equipe da ONG afiliada à WSPA alertou o Departamento Estadual de Preservação da Vida Selvagem, que, imediatamente, tomou as devidas providências.

Atuação conjunta para causar o máximo de impacto

O Departamento Estadual de Preservação da Vida Selvagem desempenhou um papel muito importante nesse resgate – se não fosse a rápida resposta ao aviso sobre a realização de um espetáculo de rinhas de ursos, Hussain teria novamente fugido com Chowti, e a equipe teria de prosseguir nas buscas à ursa, enquanto esta continuaria sofrendo de maus-tratos na triste realidade desses eventos.

“Assim que resgatamos Chowti, tomamos logo a estrada e levamos ela para Balkasar, em um veículo emprestado pelo Departamento de Preservação da Vida Selvagem, enfrentando a poeira e a escuridão do entardecer, e parando apenas para permitir que Chowti descansasse um pouco do cansativo confinamento durante o seu transporte”, disse Moazam Fayyaz, Gerente do Projeto de Sobrevivência Alternativa, que acompanhou o transporte de Chowti até Balkasar, juntamente com dois funcionários do Departamento. “Quando encontramos Chowti, ela estava cheia de feridas, muitas delas recentes e causadas por cães. Por ser cega de ambos os olhos, Chowti vivenciava momentos ainda mais torturantes durante as rinhas. Havia pessoas poderosas envolvidas na organização do evento, de modo que tivemos de agir rápido, e transportá-la imediatamente.” 

Às 2 horas e 30 minutos da manhã do dia 12 de Novembro, quando finalmente Chowti chegou ao santuário mantido pela WSPA em Balkasar, a equipe realizou exames médicos, retirou o anel que perfurava o seu focinho, e lavou suas feridas. Os profissionais lhe ministraram um sedativo para que ela pudesse descansar, e ser, logo após, conduzida à área de quarentena do santuário.

Passos tímidos na busca por um recomeço

“Teremos de prestar muita atenção à saúde de Chowti nos próximos dias”, disse Fakhar-i-Abbas, Diretor Executivo do PBRC. “Ela será removida da área de quarentena para a área de exercícios, onde permanecerá durante, aproximadamente, três semanas, antes de podermos soltá-la nas áreas abertas.”

Por ser cega de ambos os olhos, Chowti não conseguirá nem mesmo ver a luz do dia, quando as portas da área de quarentena se abrirem, – ela terá de contar com os seus outros sentidos, como olfato e tato para encontrar o seu caminho de saída para a área aberta do santuário. De toda a forma, estará em segurança, bem alimentada e com seu bem-estar garantido.

Quanto a Fida Hussain, ele terá de encontrar um novo meio de sustento – sozinho, já que recusou qualquer oferta de ajuda, antes da captura de Chowti. “Por mais de quatro anos, ele viveu à custa da exploração de Chowti, levando-a  as rinhas de ursos duas ou três vezes por mês”, disse Fakhar. “Se ele tivesse concordado em cooperar conosco, e entregar a ursa, poderia ter contado com a nossa ajuda para iniciar um novo negócio – talvez uma mercearia ou um serviço de riquixá; agora, porém, ele só contará consigo mesmo.”

“Sabemos que, no Paquistão, existem inúmeros ursos como Chowti, que sofrem nas mãos dos seus donos e dos proprietários dos terrenos que autorizam a realização das rinhas de ursos em suas propriedades. Porém, contamos com o importante apoio das autoridades estaduais, e estamos certos de que Chowti não será o último urso a ser resgatado.”

Leia mais sobre a nossa campanha para pôr um fim às rinhas de urso no Paquistão. Precisamos do seu apoio para acabar com essa prática cruel e administrar o santuário de Balkasar, em prol de ursos como Chowti.

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