WSPA leva socorro à região devastada pela seca no Quênia

Nov 2, 2011

WSPA brings emergency relief to drought-hit Kenyan region

A WSPA iniciou uma operação de emergência visando a socorrer várias cabeças de gado, cabras, asnos, camelos e ovelhas no distrito de Mwingi, na região central do Quênia, castigada pela seca. Com esta iniciativa, a WSPA não só poupa estas espécies de maiores sofrimentos, como também ajuda as populações locais a preservarem seus animais de criação.
 
Após fazer uma avaliação das necessidades geradas pela tragédia na região no mês passado, quando delineou as ações emergenciais a serem tomadas quanto à alimentação e à assistência veterinária aos animais de Mwingi, a WSPA volta agora ao Quênia para tratar mais de 20 mil deles.

A primeira fase da operação, planejada e financiada pela WSPA, foi bastante ambiciosa e demandou um total de cinco equipes, que se concentraram no entorno de reservas de água – cada vez mais escassas – espalhadas ao longo do árido solo da região. Estas equipes, basicamente formadas por estudantes de veterinária da Universidade de Nairóbi, montaram Unidades de Atendimento Veterinário em Situações de Emergência (VERU, na sigla em inglês) com o objetivo de distribuir e gerenciar as ações de socorro.

Autoridades veterinárias e governamentais, além de membros do Donkey Sanctuary (organização voltada para a proteção de asnos) e da ANAW (Africa Network for Animal Welfare – Rede Africana para o Bem-Estar Animal), também integraram as equipes, que, por quatro dias, prestaram assistência a burros, cabras, camelos, vacas e ovelhas, optando por tratá-los no entorno das poucas reservas de água disponíveis, onde se situam tanto os animais quanto os seus criadores. Com esta decisão, as ações de socorro puderam ser desencadeadas de maneira mais coordenada e eficiente.

Animais passam fome

Muitos dos criadores locais, que dependem inteiramente de seus animais para sobreviver, costumam caminhar por três ou quatro dias com seus rebanhos em busca de água e algum alívio, mesmo que temporário, para a fustigante seca queniana. Nos últimos tempos, no entanto, a situação se tornou ainda mais desesperadora à medida que os animais passaram a dispor de uma oferta cada vez mais reduzida de alimentos, ficando muito debilitados, adoecendo ou mesmo morrendo nos períodos de grande estiagem.

Nas áreas gerenciadas por nossas equipes, 30 a 40% dos animais foram afetados pela fome – mesmo destino reservado aos seus proprietários, que, para sobreviver, são obrigados a vendê-los por um preço inferior ao seu valor real.

“Eu tinha vacas e ovelhas, mas elas todas morreram. Todos os meus camelos mais velhos morreram também. Algumas pessoas estão tentando vender seus camelos, pois eles não têm nada para comer em todo o território do Quênia”, relatou o criador Dakane, que ainda acrescentou: “Eu tenho uma família grande e muitos filhos que dependem de mim para comer. Na minha cultura, vender animais não é visto com bons olhos, já que eles representam a minha fonte de renda. Mas agora eu me vejo forçado a vendê-los para comprar comida”.

A história de Dakane se repete em todo o distrito de Mwingi, com camelos – mais resistentes que qualquer outra espécie em ambientes de seca – sendo vendidos por um terço do seu valor original para que os seus donos possam se manter vivos.

Tratamento para todos os animais de criação

Ao longo da operação de quatro dias no entorno de cinco reservas de água da região, todos os animais foram vermifugados e alimentados com compostos vitamínicos e minerais para que tivessem sua imunidade fortalecida, tendo recebido também alimentação adequada. Os animais adoentados ou machucados receberam tratamento médico. As ações de emergência empreendidas em Mwingi continuarão pelos próximos dias, com programas de alimentação à base de feno, além de outros cuidados veterinários, financiados pela WSPA.

As ações de socorro não poderiam ter chegado em melhor hora para Dakane, que afirmou: “É come se Deus tivesse escutado as nossas preces, pois estão nos ajudando a manter nossos animais saudáveis por mais tempo”.

Outro criador de camelos a se beneficiar das ações, Omar Ali, concordou: “É a primeira vez que estes animais estão recebendo este tipo de tratamento, e eu estou bastante contente porque isto significa que eles terão condições de sobreviver um pouco mais a esta seca, já que estão mais saudáveis”.

Coincidentemente, desde que nossas ações de socorro foram iniciadas, começou a chover em Mwingi e, de acordo com os criadores locais, seus animais agora dispõem de condições de vida muito melhores do que antes.

Para maiores informações sobre o nosso trabalho em Gerenciamento de Desastres, acesse o blog Animals in Disasters.

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