Oct 26, 2011

No último dia 18 de outubro, um workshop promovido pela WSPA, pela Associação Amigos do Peixe-boi (AMPA), e pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) em sua sede em Manaus (AM), pôs em pauta a atual situação de ameaça à espécie boto-vermelho (Inia geoffrensis), que tem seu habitat nos rios da bacia Amazônica. O evento reuniu vários órgãos ambientais e de fiscalização como o Ibama, o Instituto Chico Mendes (ICMBio), o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), e a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SDS).
Pesquisas realizadas por cientistas do Laboratório de Mamíferos Aquáticos do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia – Inpa/MCTI, por meio do Projeto Boto, mostram que a população de boto-vermelho vem diminuindo 10% ao ano em algumas regiões da Amazônia:
“Esse golfinho endêmico da nossa região tem sido cruelmente abatido para ser usado como isca na pesca de um bagre, a piracatinga. Por isso, queremos estabelecer um processo que resulte na elaboração de ações efetivas para eliminar essa atividade cruel e insustentável na região”, ressalta Vera da Silva, coordenadora do Laboratório de Mamíferos Aquáticos do Inpa/MCTI e conselheira da Ampa.
A Gerente de Desenvolvimento da WSPA Brasil, Elizabeth Mac Gregor, afirmou que há várias questões que preocupam a entidade: “A pesca, captura ou molestamento de cetáceos está proibida no território brasileiro desde 1987 pela Lei 7.643. A matança do boto-vermelho amazônico, além de ser, portanto, ilegal e estar reduzindo drasticamente essa espécie, é feita com enorme crueldade pois os animais após serem cercados com rede, arpoados e amarrados pela cauda, são também muitas vezes deixados vivos, sangrando, para serem utilizados até vários dias após sua captura.”

Inicialmente, firmou-se um compromisso de articulação entre instituições e organizações governamentais e sociais presentes no workshop para a elaboração de um plano estratégico de ação, com o objetivo de parar a caça predatória da espécie.
A estratégia envolve, entre outras iniciativas, a sensibilização dos consumidores sobre a matança dos botos, a regulamentação da pesca da piracatinga, a promoção do turismo ecológico e sustentável e do uso de iscas alternativas, e um abaixo-assinado internacional para pressionar o Ministério da Pesca a tomar providências no processo de captura da piracatinga.
A piracatinga (Callophysus macropterus), é um peixe cuja exportação para a Colombia vem aumentando nos últimos anos. Entre os ribeirinhos, ela também é conhecida como urubu d'água, pois tem o hábito de comer carniça e não é apreciada pelos brasileiros. Ela está sendo colocada no mercado sob o nome de douradinha - o que também se caracteriza como um problema de propaganda enganosa para os consumidores, os quais devem ser alertados para esse fato.