WSPA condena recente proposta de “comercialização de cotas de baleias”

Jan 24, 2012

A WSPA repudia a sugestão do artigo intitulado “A Ciência do Diálogo: Um Modelo Comercial de Proteção às Baleias” (“Conversation Science: A market approach to saving the whales", publicado recentemente na revista Nature. O texto, escrito por Christopher Costello e Steven Gaines, da Universidade da Califórnia, em Santa Bárbara, e Leah Gerber, da Universidade do Arizona, em Tempe, propõe um modelo segundo o qual seria permitido conceder aos países licenças para caçar um número determinado de baleias.

Na teoria, estas licenças poderiam ser negociadas entre várias partes interessadas, de forma que os ‘clientes’ de um país – governos, baleeiros, grupos conservacionistas, além de outros financiadores deste tipo de comércio – poderiam adquirir as licenças dadas aos baleeiros de outro país.

Proposta ignora sofrimento das baleias

Também de acordo com a proposta, as licenças seriam conferidas pela Comissão Internacional da Baleia dentro de limites preestabelecidos, como forma de precaução contra o extermínio das baleias. Os pesquisadores estão “convencidos de que este modelo funcionaria”, já que Costello diz ter recebido um retorno positivo, tanto da indústria baleeira quanto de grupos ambientalistas, à sua proposta.

A WSPA opõe-se a tal proposta pelo simples fato de que ela ignora uma realidade fundamental: o fato de que as baleias são seres conscientes e inteligentes, que sofrem por horas e agonizam até a morte quando alvejadas pelos arpões explosivos dos baleeiros.

A diretora da WSPA para campanhas de oceanos, Claire Bass, afirmou: “Esta proposta se baseia na noção arcaica de que as baleias são meros produtos, como arroz ou milho, que podem ser negociados e permutados. A caça às baleias é uma prática cruel, defasada e desnecessária. A última coisa de que elas precisam neste momento é uma iniciativa visando a ressuscitar a indústria baleeira e incentivar outros países a ver este tipo de caça como uma atividade economicamente atraente”.

Os pesquisadores estimam que a caça às baleias gere um lucro anual em torno de 31 milhões contra aproximadamente 25 milhões de dólares despendidos por grupos preservacionistas em campanhas contra este tipo de negócio. Costello e os outros dois colegas acreditam que tal investimento poderia ter melhor retorno se fosse usado para comprar as licenças de caça dos baleeiros. O preço poderia variar entre 13 mil dólares por uma baleia do tipo minke até 85 mil dólares por uma do tipo fin.

Alternativas humanitárias: observação de baleias

“Seria melhor, sem dúvida, se pesquisadores, economistas e governantes voltassem as suas atenções para o apoio de projetos voltados a preservar e proteger as baleias. Em termos comerciais, não existe nada mais convincente do que o apoio à crescente indústria de observações de baleias – a forma mais humanitária e lucrativa de utilização das baleias no século XXI”, assinala Bass.

Leia mais sobre a observação de baleias, incluindo como distinguir um operador turístico responsável de outro que põe as baleias em risco.

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