Exportação de gado em pé

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Desde 2004, o Brasil exporta gado para abate em outros países, atividade que vem crescendo e hoje está direcionada, principalmente, para a Venezuela e para o Líbano. Esse comércio, além de prejudicial à economia do país, ainda é nocivo aos animais, que sofrem maus-tratos durante a viagem.

O transporte por longas distâncias causa intenso sofrimento aos animais, que passam por situações extremas, desde desconforto e estresse térmico, até privações de água e comida, sendo a taxa de mortalidade bastante elevada.

Ao serem exportados para o Líbano, por exemplo, os bovinos enfrentam uma exaustiva jornada, rodoviária e marítima, que pode se estender por mais de um mês. Somente no navio, o gado permanece por cerca de 3 semanas.

Na primeira etapa do processo, os bovinos podem levar dias viajando da fazenda até o porto. Para serem transportados, os animais são comprimidos em caminhões, onde ficam incapacitados de se mover ou deitar, e não recebem alimento nem água. Os que caem são pisoteados. Quando chegam ao porto, têm de esperar muitas horas ou dias para embarcarem no navio, sem mesmo descerem do caminhão.

No embarque, a utilização de bastões elétricos para conduzi-los aumenta ainda mais o estresse do gado já enfraquecido. No navio, são esmagados contra animais estranhos, que não pertencem ao seu círculo social, podendo sofrer ferimentos na agitação. Desidratação, traumas e doenças respiratórias causam alta mortandade, que pode chegar a 10%.

Quando chegam ao Líbano, os bovinos seguem em mais uma jornada até os frigoríficos ou fazendas, podendo ainda ser redistribuídos para outras regiões.

Nos frigoríficos, em muitos dos casos, são abatidos de forma desumana e violadora das normas religiosas. Após semanas de desnecessário sofrimento animal, o consumidor do Oriente Médio é levado a crer que a carne é “Halal”, alimento permitido pela religião islâmica.

O Brasil já possui diversos frigoríficos habilitados para esse tipo de abate, ou seja, a situação poderia ser facilmente evitada ao se substituir a exportação de gado em pé pela exportação de carne.

Comércio desnecessário

Boi transportado dentro de navio com sinais de maus-tratos
Há mais de 125 anos já é possível transportar carne congelada ou resfriada pelo mundo. O abate humanitário, realizado em um frigorífico próximo à fazenda onde os animais foram criados, não só terminaria com a crueldade do transporte por longas distâncias como geraria desenvolvimento industrial e empregos no Brasil.

Campanha

Em fevereiro de 2008, a WSPA lançou uma campanha pelo fim da exportação de gado para o abate. Imagens de câmeras escondidas, registradas ao longo de dois anos, revelaram a brutalidade desse comércio e levantaram a questão junto à opinião pública.

Clique abaixo para assistir ao vídeo que mostra as condições de transporte a que os animais são submetidos.

Exportação brasileira de gado para o abate

Relatório Desvantagens Econômicas da Exportação de Gado em Pé

Em novembro de 2009, a campanha da WSPA entrou em um segundo estágio, com o lançamento do relatório “Desvantagens Econômicas da Exportação Brasileira de Gado em Pé”, cujo objetivo geral é analisar a exportação brasileira de gado para o abate e mostrar, principalmente ao governo e à indústria, o quanto essa atividade é injustificável economicamente.

O economista autor do estudo, o Prof. Dr. Reinaldo Gonçalves, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, estima que esse tipo de comércio resulte numa perda para o Brasil de cerca de R$ 50 milhões por ano, em virtude do seu baixo valor agregado:

“A exportação de gado para o abate é uma atividade retrógrada que traz inúmeros prejuízos para a economia brasileira. Assim como a exportação de qualquer matéria-prima, faz com que o país deixe de gerar empregos e renda, e arrecadar tributos. Por outro lado, o desenvolvimento da cadeia produtiva da carne e do couro, com a exportação de produtos industrializados, geraria maior entrada de divisas no Brasil.” (página 14)

Faça aqui o download do relatório “Desvantagens Econômicas da Exportação Brasileira de Gado em Pé”. >>

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